
Para nós, Candeia! Importante compositor, sambista, cantor e um dos maiores defensores da cultura afro-brasileira. Filho de sambista, seu pai também era flautista, tipógrafo e, segundo alguns, criador das Comissões de Frente das escolas de samba. Nascido em casa de bamba, os aniversários de Candeia eram regados com feijoada, limão e muito partido alto. Logo aprendeu a tocar violão e cavaquinho, onde nos domingos junto com seu pai e os amigos, passavam as tardes debaixo das Amendoeiras do bairro de Oswaldo Cruz nas rodas de samba e choro. Ainda menino, Candeia conheceu a Capoeira e começou a jogar. Também freqüentava assiduamente os terreiros de candomblé. Jamais esqueceu o dia em que pela 1ª vez visitou a sua escola de coração. Na época a sede ainda era no antigo Bar do Nozinho, ponto de encontro obrigatório da turma de Oswaldo Cruz.
À medida que crescia, o jovem Candeia ganhava mais intimidade com o samba. Nas festas de Dona Esther (casa onde se reunia os sambistas), Candeia Filho como era conhecido quando pequeno, tinha contato com alguns dos maiores sambistas de Oswaldo Cruz e de toda a cidade na época, que vinham para o bairro participar dos famosos encontros da Tia festeira. Dentre os nomes, estavam: Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Zé da Zilda e Luperce Miranda. Neste mesmo local, conhecerá também outras manifestações culturais como o Jongo. Como membro da escola de samba “Vai como pode”, participou do núcleo original de sambistas que fundou a G.R.E.S. Portela e, no ano de 1953, compôs o seu 1º samba enredo para a nova escola “Seis Datas Magnas”, em parceria com Altair Prego. Foi quando a Portela realizou a façanha inédita de obter nota máxima em todos os quesitos do desfile (total de 400 pontos). Candeia era também integrante assíduo da Ala dos Impossíveis. Em um fato curioso, certa vez, Candeia e seus amigos, inconformados com a peruca de sisal que teriam que usar durante o desfile, arrumaram um jeito de disfarçar o acessório. Criaram uma coreografia para que o cabelo passasse desapercebido durante o desfile. Alguém tem alguma dúvida? A imprensa fez enormes elogios à novidade e a experiência foi repetida com expectativa nos anos seguintes. Estava criada a coreografia de alas nas escolas de samba. Na década de 60, dirigiu o conjunto “Mensageiros do Samba”, que desceu da extremidade do morro para a cidade se apresentando no famoso e badalado Restaurante ZICARTOLA. Oportunidade esta, que fez com que a gravadora Phillipis levasse o conjunto para o estúdio, gravando o seu 1º LP. Em 1961, buscando um emprego seguro, Candeia consegue ser aprovado no concurso para a polícia, ganhando assim, a fama de severo, durão, valente, sempre disposto a cumprir seu trabalho. Durante sua passagem pela polícia, viu em nome do dever, sua relação com alguns antigos amigos serem modificadas.
Candeia foi o responsável pela prisão do famoso Neném Russo, do Engenho da Rainha. No dia 13/12/1965, num episódio até hoje mal-explicado, por ter esbofeteado uma prostituta numa batida policial (no qual a mesma rogou-lhe uma praga), Candeia é baleado nas costas após uma confusão com três ocupantes de um caminhão. Levado para o Hospital Souza Aguiar, desenganado pelos médicos, Candeia consegue sobreviver. Várias cirurgias trouxeram algumas melhorias, mas jamais voltaria a ter sensibilidade da cintura para baixo. Candeia, assim, estava condenado a viver pelo resto da vida “sentado em trono de rei”, nome e trecho de uma de suas composições (...sentado em trono de rei/ ou aqui nessa cadeira...).
Salve, salve simpatia!!!

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